Fraternidade O Caminho

04 de Dezembro de 2011 – Ano B

 

O Advento é este “Tempo” de alegre Esperança pela chegada do Senhor. Jesus vem, e isso é motivo de jubilo e expectativa, mas, sobretudo, vigilância. O Advento é esse retiro que a Igreja nos concede para a preparação do Natal. Quem não vive o advento em sua essência não gozará das alegrias natalinas, pois o espírito deste “tempo santo” prepara nossa vida para receber o Príncipe da Paz.

 A liturgia deste 2º domingo nos convida a conversão, a preparar o nosso coração, pois Ele vem! A voz que ecoa dos montes nos convida a atenção, situação de vigilância que todo servo tem que vivenciar, “eis que o Senhor Deus vem com poder, seu braço tudo domina: eis, com Ele, sua conquista, eis à sua frente à vitória” (Is 40, 10).

O Profeta Isaias na 1ª leitura traz uma Palavra de conforto e confiança, “consolai o meu povo, consolai…” (Is 40,1), a voz de libertação afirmando que o tempo da escravidão acabou, que podemos dançar livres na presença de Deus.

A exortação nos prepara para esta chegada tão acreditada, onde tudo é transformado pela manifestação da Sua glória. O Senhor não pode encontrar nenhum obstáculo que O impeça de agir em nosso meio, mas ao contrário, tudo tem que estar nivelado e endireitado, ou seja, a casa tem que estar pronta e limpa para receber o Senhor.

Mas que casa é esta? É o nosso coração! Que precisa estar vazio e limpo para receber o Divino Infante. Este tempo é propicio para uma mudança de direção, tempo de renovar as metas e de fazer novos planos. A urgência do advento nos convida a tornar novo tudo que se encontra velho, permitindo que a tristeza de lugar a alegria, que a desilusão seja encontrada pela esperança.

O que nos motiva e consola é que um dia seremos reunidos em torno do Sumo Pastor, que veio na fragilidade do Menino e virá em plena glória nos introduzindo na vida eterna.

O Apóstolo Pedro vem confirmar a palavra do profeta, que Deus irá cumprir Sua promessa, “o Senhor não tarda a cumprir Sua promessa” (2Pd 3,9), mas sabemos que o tempo de Deus não é o nosso tempo. Deus é o Kairós, e nós vivemos no Kronós. Contudo o dia tão esperado é justamente quando o Senhor entrar em nosso tempo tornando-nos participantes de Seu Reino, “que não terá fim” (cf. CIC 664). O Reino de Deus é a expressão cume da esperança a respeito dos dias vindouros.

A imagem que Pedro utiliza para falar sobre o grande “Dia” é de um ladrão, e o que é o ladrão? Primeiramente nunca esperamos por ele, e quando ele aparece estamos despreparados, pois somos iludidos que nunca acontecerá conosco. Assim será o dia do Senhor, Ele virá a qualquer momento, imaginemos se isso se desse agora, como o Senhor nos encontraria? A conversão deve ser o sinal dos vigilantes, sendo assim, que Ele nos encontre “numa vida pura e sem mancha e em paz” (2Pd 3,14).

Já o Evangelho traz a figura memorável de João Batista, a voz que clama no deserto (cf. Mc 1,4), “preparai o caminho do Senhor, endireitai suas estradas” (Mc 1,3). A pregação do Batista centraliza na urgência de conversão, que tem sua expressão máxima no batismo.

João é o grande profeta, o único que obteve de Deus a graça de anunciar, mas, sobretudo, de contemplar a face do Messias. João pregava o batismo de conversão, batismo esse que faz parte da expectativa messiânica do Filho de Deus que veio para salvar. João anuncia que a salvação é universal, para todos, mas a condição para haurir desta graça é justamente a conversão. O batismo de João era a preparação do batismo cristão, que tem caráter definitivo.

O verdadeiro discípulo é aquele que aponta o Cristo, que torna sua própria vida uma seta que conduz ao Salvador. A missão de João tem que ser a nossa, apontar o Cordeiro de Deus, “eis o Cordeiro de Deus” (Jo 1,37).

Deixemos que ação do Espírito nos leve a vivenciarmos da bondade do Deus que virá, mas não nos esqueçamos da palavra do Batista: “Convertei-vos pois o Reino de Deus está próximo” (Mt 3,2).

 

Ir. Raphael Estevão da Santa Cruz, PJC.

Fraternitas São Luis Maria Grignion de Montfort / Franca – SP.

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