Reflexão do 4º Domingo do Advento Reflexão do 4º Domingo do Advento
18 de Dezembro de 2011 – Ano B O tempo do Advento está chegando ao fim de seu curso, é tempo de conversão! A... Reflexão do 4º Domingo do Advento

18 de Dezembro de 2011 – Ano B

O tempo do Advento está chegando ao fim de seu curso, é tempo de conversão! A urgência toma conta de nosso ser que se prepara para tão esperada chegada: o Salvador. A chegada do Cristo – Menino gera em nós uma mudança de mentalidade e renovação de nossa fé. Não podemos falar de advento e natal e não fazermos menção a “ESPERANÇA”, “voltai-vos à fortaleza, ó presos de esperança; também hoje vos anuncio que vos restaurarei em dobro” (Zc 9,12), esta esperança perpassa todo o tempo do advento e encontra seu ponto alto no Natal do Senhor.
Creio que esta 4ª Semana do Advento é momento propicio de percebermos os frutos que já foram gerados em nós, pois todo aquele que está vivendo afinco este tempo santo já está haurindo de graças, e não são poucas. Com certeza neste período do advento a nossa casa já deve estar pronta para receber a Família de Nazaré, que baterá em nossa porta, e nós temos que oferecer um aconchego, particularmente ao Menino que deverá nascer.
O Sacramento da reconciliação foi é o antídoto que o Senhor nos oferece para que nossa casa esteja limpa, portanto, nunca é tarde para buscarmos neste sacramento a cura de nossas almas. A confissão nos possibilita a experiência de nos tornarmos manjedoura, onde nosso coração é preparado para que a Virgem dê Luz às trevas de nossa história.
Na 1ª leitura Davi, preocupado em servir ao Senhor, reconhecendo todas as maravilhas que Ele estava fazendo em seu meio, decide construir um Templo honrado a Deus, e recebe de Natã essa Palavra: “Vai e faça tudo o que diz o teu coração, pois o Senhor está contigo” (IISm 7,3), pois tudo que acontece é de vontade divina e para manifestação de Sua glória.
A iniciativa de Davi e tudo o que ele realizou a favor de seu povo, trouxe a ele uma profecia que será um filho, isto é, de sua descendência que virá o libertador de Israel. Em Jesus percebemos a linhagem davídica, por isso, que o Salvador é chamado Filho de Davi “livro da geração de Jesus Cristo, filho de Davi, filho de Abraão” (Mt 1,1).
A exortação Paulina nos convida a obediência, virtude que acompanha a vida dos santos. É a obediência pela fé no conhecimento de Jesus Cristo. “Mas agora manifestado por ordem do eterno Deus e, por meio das Escrituras proféticas, dado a conhecer a todas as nações, a fim de levá-las à obediência da fé” (Rm 16,26). A obediência já é uma questão de fé, é o mistério de sermos submissos há alguém que tem sobre si a benção de Deus, como por exemplo, os pais, os clérigos, superiores religiosos.
O Evangelho deste 4º Domingo é riquíssimo em espiritualidade e detalhes teológicos. No centro desta narração está a figura materna da Virgem Maria, que com seu “Fiat” recebe em seu ventre sagrado o Senhor do tempo e da história. “carregou a Palavra no ventre, não na boca. Estava cheia, fisicamente inclusive, de Cristo, e o irradiava com sua simples presença. Jesus lhe saía dos olhos, do rosto, de toda a pessoa. Quando nos perfumamos, não precisamos avisar. Basta estar perto. Maria, especialmente no tempo em que trazia Jesus no ventre, estava cheia do perfume de Cristo” (Frei Raniero Cantalamessa).
Nesta narração notamos com clareza que a lógica de Deus é bem diferente da nossa, os pensamentos do Senhor estão acima dos nossos. O Anjo é enviando a uma cidade dotada de preconceitos, “pode vir alguma coisa boa de Nazaré?” (Jo 1,46), um local que o Messias nunca deveria nascer. Nazaré é conhecida como a “flor da Galiléia”, como afirmou São Jerônimo. Localizada sobre uma colina a 350 metros em relação ao Mar Mediterrâneo, a cidade é rodeada por outros montes mais altos.
Mas é de Nazaré que nos vem à salvação, o Salvador tão esperado decide ser chamado de Galileu! Não era mentira quando diziam que de Nazaré não vinha nada que se presta, uma vez que era uma cidade mal falada, mas o melhor de Nazaré estava guardado na fragmentação da Eternidade: “naqueles dias e naquele tempo farei brotar a Davi um Renovo de justiça, e ele fará juízo e justiça na terra” (Jr 33,15).
Dois nomes do Antigo Testamento são citados nesta narração, Davi e Jacó. Mas porque o texto faz referência a esses dois personagens vetero – testamentário? Primeiramente vale ressaltar a figura do Rei Davi que governou o Reino unificado de Israel, sendo o segundo monarca. É de Davi que vem o Masshiach (Messias), ele faz parte da genealogia do José, pai adotivo de Jesus. “E Davi reinou sobre todo o Israel; e fazia juízo e justiça a todo o seu povo”  (I Cr 18,14).
Por isso, que o Evangelho afirma que Jesus provém da Casa de Davi, ou seja, Ele é verdadeiramente o herdeiro, o descendente de Davi que se humanizou no seio da Virgem, para governar sobre tudo e todos.
“E reinará eternamente na casa de Jacó” (Lc 1, 32). Jacó é precisamente o pai das Doze Tribos, o reino unificado que Davi governou. Jacó é Israel, “não te chamarás mais Jacó, mas Israel” (Gn 32,28), o reino que teve Davi como rei absoluto.
Sendo assim, Jesus Cristo é O verdadeiro Rei, descendente de Davi, que governa absolutamente sobre Israel, num reino unificado. Em Cristo todos os reinos da terra serão integrados, “e o seu reino não terá fim” (Lc 1,33). Por isso a importância dessas duas figuras na narração da anunciação, para mostrar que Jesus é o Messias tão esperado.
Por fim contemplamos a Virgem que se coloca diante do Senhor como serva, do grego “doulos” (doulos), que significa escrava. Nós católicos em meio a tantas devoções contemplamos a Virgem com seus vários títulos, mas na Sagrada Escritura o único titulo que ela se dá é “Serva do Senhor” (Lc 1,38).
“Vive verdadeiramente o Natal quem é capaz de fazer hoje, à distância de séculos, aquilo que teria feito, se estivesse estado presente naquele dia. Quem faz aquilo que Maria ensinou a fazer: ajoelhar-se e recolher -se no silêncio” (Frei Raniero Cantalamessa).
A Virgem já começa a sofrer as dores do parto, vigiemos, a qualquer hora a família de Nazaré baterá em nossa porta. Maranthá!
Ir. Raphael Estevão da Santa Cruz, PJC.
Fraternitas São Luis Maria Grignion de Montfort

  • Juliano de Souza

    18/12/2011 #1 Author

    Salve Maria Imaculada!
    Acompanhei essas reflexões e gostei muito, foi uma novidade no site e deve continuar. Fiquem em paz.

  • Mayara Mendes

    18/12/2011 #2 Author

    adorei essa formação… td de bom!

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