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PARÁBOLAS – Versículo por Versículo

Publicado em 17 de julho de 2011

O Semeador
Mt 13,1-8

¹Naquele dia, saiu Jesus e sentou-se à beira do lago. ²Acercou- se dele, porém, uma tal multidão, que precisou entrar numa barca. Nela se assentou, enquanto que a multidão ficava à margem. ³E seus discursos foram uma série de parábolas.

4Disse ele: “Um semeador saiu a semear. E, semeando, parte da
semente caiu ao longo do caminho; os pássaros vieram e a comeram. 5Outra parte caiu em solo pedregoso, onde não havia muita terra e , nasceu logo, porque a terra era pouco profunda. 6Logo, porém, que o sol nasceu, queimou-se, por falta de raízes.
7Outras sementes caíram entre os espinhos: os espinhos cresceram e as sufocaram. 8Outras, enfim, caíram em terra boa: deram frutos, cem por um, sessenta por um, trinta por um. 9Aquele que tem ouvidos, ouça”.

V-1 Naquele dia, saiu Jesus e sentou-se à beira do lago.

A expressão “no mesmo dia” nem sempre tem uma referência direta a um tempo existente, as vezes ela é usada para demarcar situações que acontecerão conforme um tempo divino (Kairós). O versículo nos mostra que Jesus está sentado à beira do lago, um local público, portanto, não demoraria em ser reconhecido.

V-2 Acercou-se dEle, porém, uma tal multidão que precisou entrar numa barca. Nela se assentou enquanto a multidão ficava à margem.

Jesus senta- se na barca, assumindo assim a postura típica dos mestres judeus (rabinos), enquanto que a multidão de pé assume a postura dos discípulos, e começa a ensinar em parábolas. Esse ensino ficou conhecido também como o Sermão à Beira mar, tal como o Sermão da Montanha.

V-3 E seus discursos foram uma série de parábolas.

O ensino por meio de parábolas era um recurso bastante utilizado na época. De fácil entendimento, as parábolas conseguiam atrair a atenção dos que as escutavam , assim como a sua participação e envolvimento na mesma, haja visto que elas objetivavam criar uma interação entre quem as contavam e quem as escutavam, pois eram estes que deveriam tirar suas próprias conclusões.

V-4 Disse Ele: “Um semeador saiu a semear. E semeando, parte da semente caiu ao longo do caminho; os pássaros vieram e as comeram.

O versículo nos apresenta uma paisagem tipicamente interiorana, a das estradas cercadas de ambos os lados por grandes plantações. A diferença quem sabe, é que nos dias de hoje são protegidas por cercas de arame.

O semeador da parábola, ao lançar as sementes deixa cair algumas delas nas estradas de terra batida, onde bandos de aves já se encontram espreita para comê-las.

V-5 Outra parte caiu em solo pedregoso onde não havia muita terra e nasceu logo porque terra era pouco profunda.

Era comum na Palestina aproveitar das encostas para aí fazerem plantações. O problema é que muitos desses locais continham uma enorme quantidade de pedregulho misturado em meio à terra.

V-6 Logo, porém que o Sol nasceu queimou-se por falta de raízes.

Os raios do sol em contato com o solo pedregoso tornavam demasiadamente quente, provocando assim a queima dos brotos que, por não terem raízes profundas, não puderam nutrir-se da umidade da terra.

V-7 Outras sementes caíram entre os espinhos: os espinhos cresceram as sufocaram.

Outra situação comum a nós. Sabe-se que quando uma terra é cultivada num ano, geralmente no ano seguinte ela “descansa”. Foi o que aconteceu na parábola. A terra que fora deixada de lado, era paralela à que tinha sido preparada para o plantio e estava repleta de plantas espinhosas, pois durante o tempo de descanso, o agricultor deixa que as ervas daninhas, os matos, cresçam à vontade, Algumas das sementes  lançadas caíram nesse terreno e à medida que os espinhais cresceram foram sufocadas.

V-8 Outras enfim, caíram em terra boa: deram frutos cem por um, sessenta por um, e trinta por um.

Caíram na terra que fora preparada, arada e adubada. Nela não tinha nem pedras e nem espinhos. Estava toda limpa. A semente aí lançada só poderia crescer e produzir frutos. Uma boa safra poderia produzir de trinta a sessenta por cento, acima daquilo que se plantara. Uma excepcional safra poderia chegar a cem por cento. As sementes lançadas produziram não só aquilo que se esperava, produziram a sua quantidade máxima.

V-9 Aquele que tem ouvidos, ouça!

Por diversas vezes e em diferentes situações Jesus fez uso dessa expressão. Era a maneira usada pelos mestres da época para chamar a atenção dos seus discípulos para a importância do que estava sendo dito.

Explicação da Parábola do Semeador (Mt 13,18-23).

18 “Ouvi, pois, o sentido da parábola do semeador: 19 quando um homem ouve a palavra do Reino e não a entende, o Maligno vem e arranca o que foi semeado no seu coração. Este é aquele que recebeu a semente à beira do caminho. 20O solo pedregoso em que ela caiu é aquele que acolhe com alegria a palavra ouvida, 21mas não tem raízes, é inconstante: sobrevindo uma tribulação ou uma perseguição por causa da palavra, logo encontra uma ocasião de queda.

22 O terreno que recebeu a semente entre os espinhos representa aquele que ouve bem a palavra, mas nele os cuidados do mundo e a sedução das riquezas as sufocam e a torna infrutuosa. 23A terra boa semeada é aquela que ouve a palavra e a compreende e produz fruto: cem por um, sessenta por um, trinta por um”.

V-18 “Ouvi, pois, o sentido da parábola do semeador”

Assim como Jesus terminara essa parábola chamando a atenção dos seus ouvintes, assim também Ele começa a sua explicação chamando a atenção dos seus discípulos para os “mistérios do Reino” que Ele começa a revelar.

V-19 “A todo que ouve a palavra do Reino e não a entende, vem o Maligno e arrebata o que foi semeado no seu coração. Este é aquele que recebe a semente à beira do caminho”.

A semente é a Palavra semeada. O coração é a estrada de terra batida. Simboliza aqui a dureza do coração que alguns possuem e que os tornaram insensíveis para acolher a Palavra que está sendo anunciada, como dissera Jesus no versículo 15 citando o profeta (Is 6,10): “Porque o coração desse povo se endureceu”.

O Maligno aqui é representado pelas aves. Em diversas culturas algumas aves são consideradas mensageiras do mal. Basta lembrarmos tantas estórias que permeam o imaginário popular, nas quais as aves, sobretudo o corvo e a gralha, são animais de estimação das bruxas. O canto de algumas aves é considerado para muitos como mau presságio ou como se diz, mau agouro. Na literatura grega era chamada de “augure” a pessoa que fazia “adivinhações” através do canto das aves, daí a origem da palavra agouro. Há dessa forma, uma dupla impossibilidade de tais indivíduos acolherem a palavra: a primeira por terem um coração endurecido e a segunda porque o maligno está sempre atento para arrebatá-la.

V-20 O solo pedregoso em que ele caiu é aquele que acolhe com alegria a Palavra ouvida.

Ao contrário dos primeiros que repulsam de imediato a Palavra, esses ainda a acolhem e chegam a se alegrarem com ela. Esse solo pedregoso representa um bom número de pessoas que se empolgam de imediato com a pregação que escutam, com o testemunho que vêem…. Emocionam-se, choram, chegam até a dar testemunho do que Deus fez em suas vidas, mas não passam de “fogo de palha”, logo acaba.

V-21 “Mas não tem raiz, é inconstante: sobrevindo uma tribulação ou uma perseguição por causa da Palavra, logo encontra uma ocasião de queda”.

Estava indo tudo muito bem, mas a Palavra que deixou alegre se torna também exigente, tornando-o alvo de perseguição. Quando chega o momento da conversão verdadeira e de exercer a profecia, imediatamente “pu1a fora”. Pensou que seguir Jesus era só “oba-oba”. Infelizmente não criou raiz.

V-22 “O terreno que recebeu a semente entre os espinhos representa aquele que ouviu bem a Palavra, mas nele os cuidados do mundo e a sedução das riquezas sufocaram a Palavra e a tornaram infrutífera”.

Ao que tudo indica, essa terceira atitude representa aqueles que ouvem, acolhem e por um certo tempo permanecem na Palavra, entretanto, nela não perseveram por não conseguirem superar os dois obstáculos que mais à frente lhes aparecem:

- Os cuidados do mundo: Com o passar do tempo resolve dedicar-se inteiramente aos seus interesses particulares. Já não tem mais tempo para perder com “essas coisas de Igreja”. O que importa agora é o seu bem – estar, o seu status social, o seu próprio prestígio e ascensão.

- A sedução das riquezas: Essa atitude é decorrente da outra. Para manter um certo padrão de vida”, se faz necessário buscar a todo custo, e muitas vezes a qualquer preço, riquezas materiais. Seu “deus” torna-se o dinheiro, o luxo, as vantagens econômicas.

V-23 A terra boa semeada é aquele que ouve a Palavra e a compreende e produz fruto: cem por um, sessenta por um, trinta por um.

Podemos verificar na parábola, que o semeador era o mesmo; mesmas eram também as sementes, o que mudavam eram os tipos de terra. Por fim, a semente encontrou terra boa onde pode crescer e frutificar. Essa é coração daquele que ouviu e compreendeu a Palavra, ou seja, o coração daquele que se maravilhou com a mensagem salvifica de Jesus e nela permaneceu, superando as tentações do maligno, das riquezas e dos interesses particulares, sendo fiel no tempo da tribulação e da perseguição. Deu conforme aquilo que tinha, e segundo suas capacidades produziu frutos em abundância.

PARÁBOLAS Versículo por Versículo

Pe. Gilson Sobreiro, pjc


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