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O Dom da Ciência

Publicado em 8 de fevereiro de 2011

 

“A um é concedida, por meio do Espírito Santo, a linguagem da ciência”(1Cor 12,8).

 

“A terra será repleta de conhecimentos da glória do Senhor” (Hab 2,14).

 

O carisma da ciência ou, “linguagem da ciência”, como o chama São Paulo, não é bagagem cultural que adquirimos através do estudo e onde aplicamos a nossa inteligência e a nossa vontade. Não se trata também do conhecimento de Deus e das realidades divinas, adquirido mediante o estudo da filosofia e da teologia. Tanto isto é verdade que pode haver grandes teólogos que não tenham o dom da ciência.

Por linguagem (palavra) da ciência entendemos, portanto, um conhecimento intelectual, mas não necessariamente expresso por palavras. No nosso caso, este conhecimento alcançou a mente, não através das vias normais do raciocínio ou da percepção, mas mediante uma revelação. Podemos, pois, definir o dom da linguagem da ciência como uma revelação sobrenatural relativa a situações, fatos, eventos passados, presentes ou futuros, não conhecidos por meios humanos. Podemos considerar este dom como um fragmento da onisciência de Deus, revelado à nossa inteligência e concernente a um fato determinado.

Este dom torna-nos particularmente capazes de compreender o profundo significado da Sagrada Escritura, através de uma iluminação sobrenatural sobre os pensamentos de Deus, contidos nas palavras inspiradas. Este dom faz com que a nossa inteligência penetre nas verdades divinas sem que empreguemos o esforço do raciocínio.

O dom da linguagem da ciência não se identifica com o dom da ciência em geral, que é um dos sete clássicos dons do Espírito Santo que vêm acompanhados com a infusão da graça divina.

O dom da ciência ajuda-nos a julgar de maneira corretas coisas criadas em suas relações com Deus e mostra-nos o valor e a importância que têm as criaturas aos olhos de Deus. A linguagem da ciência, por sua vez, é uma revelação interior particular e momentânea sobre um fato singular e determinado.

O dom da linguagem da ciência tampouco se identifica com o dom da profecia, pois esta é uma mensagem expressa em palavras que nem sempre são compreendidas por quem as profere. A linguagem da ciência, por sua vez, é uma revelação interior perfeitamente compressível por quem a recebe.

Por fim, ele também não se identifica com o dom do discernimento dos espíritos, visto que este se endereça a sujeitos determinados, ou digamos, aos espíritos, ao passo que a linguagem da ciência toma qualquer direção.

Citemos agora alguns exemplos do dom da linguagem da ciência, encontrados na Sagrada Escritura.

-                           Ao profeta Natã foi revelado o pecado de Davi com Bersabéia, ao profeta Eliseu foi mostrado, através de uma visão, o lugar onde se encontravam os inimigos, podendo, assim, salvar o povo de Deus. Ananias também teve uma visão que lhe adiantou a conversão de Saulo.

-                           Também Jesus exerceu esse dom. revelou os pecados do paralítico e a vida passada da mulher samaritana. Viu Natanael debaixo da figueira, a traição de Judas, a negação de Pedro e a fuga dos apóstolos à hora da Paixão.

Não foram poucos os santos que tiveram o dom da linguagem da ciência. O Papa São Pio V, encontrando-se em Roma, viu a derrota dos turcos que teve lugar em Lépanto. O santo Cura d’Ars dirigiu estas palavras a uma senhora que chorava desesperadamente, temendo a sorte eterna de seu marido que se lançara ao solo, do alto de uma ponte: “Seu marido salvou-se porque antes de tocar no solo ele ainda pediu perdão de seus próprios pecados”.

É bem verdade que, em geral, o dom da linguagem da ciência vem acompanhado da linguagem da sabedoria.

 

O Dom Da Sabedoria

A um é concedida, por meio do Espírito, a linguagem da sabedoria” (1Cor 12,8).

 

Este nono carisma (que São Paulo menciona em primeiro lugar), outra coisa não é senão a aplicação prática e o reto uso do dom da ciência.O dom da ciência apresenta-nos o panorama da situação e com o dom da sabedoria o Senhor nos revela qual deve ser o nosso comportamento em cada situação.

O dom da ciência é mera informação sobrenatural; o dom da sabedoria incentiva o desenvolvimento prático que se deve seguir.

Com o dom da ciência o Espírito Santo nos faz ver; com o dom da sabedoria ele nos leva a agir. A sabedoria é dom de Deus; portanto não se trata de sabedoria humana, fruto da inteligência e da experiência. É manifestação do Espírito, por isso, não é habilidade humana nem sagacidade, esperteza ou diplomacia.

Notemos que existe também uma diferença entre o dom da linguagem da sabedoria e o dom comum da sabedoria. Este último é o dom que nos faz encarar e apreciar a Deus da maneira mais objetiva possível, ou em outras palavras: faz despertar em nós o gosto pelas coisas de Deus.

A linguagem da sabedoria, por sua vez, é um dom do Espírito que nos ajuda a enfrentar uma situação especial e que nos mostra o modo de agir para mantermos em dia o plano de Deus, conhecido mediante o dom da ciência.

É o dom que nos faz dar respostas acertadas em caso de sermos levados aos tribunais. Em tais situações não devemos preocupar-nos com o que haveremos de dizer porque o Espírito falará por nós (Mt 10,19).

É este o dom que recebemos quando temos situações difíceis para tomar e problemas árduos para resolver. O rei Salomão foi agraciado com este dom quando teve que julgar qual das duas mulheres era a mãe da criança (1Rs 3,16ss). A linguagem da sabedoria foi dada também aos apóstolos quando tiverem que escolher os sete diáconos, “cheios do Espírito e de sabedoria” (At 6,3).

É o dom negado aos soberbos e reservado aos humildes: “louvo-te e agradeço-te, ó Pai, Senhor do céu e da terra, porque escondeste estas coisas aos sábios e entendidos e as revelaste aos simples” (Lc 10,21). “Arruinarei a sabedoria dos sábios, frustrarei a inteligência dos inteligentes. Onde está o sábio? Onde o letrado? Onde o filósofo deste mundo? Não tornou Deus, acaso, estulta a sabedoria deste mundo?” (1Cor 1,19-20).

A José do Egito, homem humilde, foi revelada a interpretação dos sonhos do faraó. Os soberbos chefes do Sinédrio “não podiam resistir à sabedoria e ao Espírito com que Estevão falava” (At 6,8).

Uma mulher humilde, mas cheia de sabedoria, como era Catarina de Sena, teve a missão de orientar a Igreja.

Bernadete em Lourdes e os três pastorinhos em Fátima, criaturas ingênuas e humildes, foram escolhidos para transmitir aos homens a mensagem da Mãe do céu.

Fonte: O despertar dos carismas – S.Falvo

 

Irmã Suzana do Coração Agonizante de Jesus, PJC
Fratérnitas Sagrado Coração de Jesus – Penha

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