“Quando vos mandei sem bolsa, sem mochila e sem calçado, faltou-vos porventura alguma coisa?” (Lc 22,35)
A pobreza é uma das exigências fundamentais para o seguimento de Jesus: “Se quiseres me seguir renuncie…” (Mc 8, 34); “Uma só coisa te falta, vai, vende tudo o que tens e dá-o aos pobres, e terás um tesouro no céu. Depois, vem e segue-me” (Mc 10, 21).
Para a própria salvação: “Pois que adiantará o homem ganhar o mundo inteiro, se vier a perder a sua vida” (Mc 8, 36); “Quão dificilmente entrarão no Reino De Deus os ricos” (Mc 10, 23). É já, garantia do Céu: “Bem-aventurados vós que sois pobres, porque vosso é o reino de Deus” (Lc 6, 20a); “Não ajuntei para vós tesouros na terra, onde a ferrugem e as traças corroem, onde os ladrões furam e roubam. Ajuntai para vós tesouros no Céu, onde não os consomem nem as traças nem a ferrugem, e os ladrões não furam nem roubam. Porque onde está o teu tesouro, lá também está o teu coração” (Mt 6, 19-21).
É critério de autenticidade para o apostolado: “Não leveis nem ouro, nem prata, nem dinheiro em vossos cintos, nem mochila para a viagem, nem duas túnicas, nem calçados, nem bastão…” (Mt 10, 9-10). Creio que esses versículos já são mais do que suficiente para nos fazer lembrar que a nossa pobreza tem sua origem e razão de ser no Evangelho.
Toda comunidade é tentada com o passar dos anos, a permitir que a pobreza evangélica dê lugar a segurança e a comodidade. À medida que ela vai se tornando conhecida e aceita começa, pouco a pouco, a abandonar a confiança no Senhor.
É então, como nos lembrou Jean Vanier, que aparece o pecado de enriquecer: “A comunidade não é mais pobre e humilde, mas torna-se satisfeita consigo mesma. Não recorre mais a Deus como outrora; não grita mais por socorro. Segura da experiência adquirida, já sabe como fazer tudo. Não toma mais decisões à luz de Deus, torna-se fria na oração. Fecha-se ao pobre e ao Deus vivo; torna-se orgulhosa”. Quando chega nesse ponto a comunidade “precisa ser sacudida e passar por sérias provações para reencontrar a atitude de criança; sua dependência de Deus”.
O Senhor, como um bom pedagogo que é, usa dos mais diversos recursos, entre eles a provação, para trazer a comunidade de volta ao caminho da pobreza: “Antes de ser por vós provado, eu me perdera; mas agora sigo firme em vossa lei. Para mim foi muito bom ser humilhado, porque assim eu aprendi vossa vontade” (Sl 118, 67.71).
Assim como os melhores perfumes estão nos menores frascos, assim também, o Reino de Deus está nas coisas mais simples, frágeis e pequenas.
O crescimento desordenado e a fama NUNCA serão critérios para medir a benção do Senhor. O contrário sim como nos relata o Salmo 104 ao nos mostrar o Senhor dando a terra de Canaã como herança aos israelitas quando estes não passavam “de um reduzido número e uma minoria insignificante…” (Sl 104, 11-12).
“Não temais pequeno rebanho, porque foi do agrado de vosso Pai dar-vos o Reino” (Lc 12,32).
Deixemos que uma vez mais a senhora Pobreza nos abençoe como outrora abençoou nossos primeiros pais no Carisma: “Que o Senhor abençoe vossa fortaleza e receba a obra de vossas mãos. Rogo e muito vos peço como filhos caríssimos, que persevereis no que começastes pelo ensino do Espírito Santo e não abandoneis vossa perfeição, como alguns costumam fazê-lo. Mas, fugindo de todos os laços das trevas, sempre vos esforceis pela maior perfeição.(Mt 19, 27). (Sacrum Commercium 31,1-9).
Altíssima é a vossa Profissão, que está acima do homem e acima da virtude: ela ilumina mais claramente a perfeição dos antigos. Que não haja nenhuma dúvida quanto a posse do reino do Céus; que em vós não haja nenhuma hesitação, por que já tendes a garantia da herança futura e já recebestes o penhor do Espírito; já fostes assinalado como o selo da sua graça, correspondeis em todas as coisas àquele selo da sua primeira escola, que congregou quando veio ao mundo. Pois, o que eles fizeram na presença dele, vós começastes a operar na ausência e não há do que envergonhar-vos ao dizer: Eis que nós deixamos tudo e te seguimos”
Pe. Gilson Sobreiro
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4 comentários para "“Quando vos mandei sem bolsa, sem mochila e sem calçado, faltou-vos porventura alguma coisa?” (Lc 22,35)"
Obrigado Padre por esssas palavras , pois sinto-me seduzido pela senhora Pobreza, pois me ensina que nao devo eskecer de Deus mesmo estando em uma situação favoravel.
Paz e Bem, Padre Gilson!
Desde que entrei para a Ordem Franciscana Secular que procuro levar à risca, dentro do meu estado social, os meus votos de castidade, pobreza e obediência, e mesmo quanto ao ‹‹nem calçados›› faço como vós, sempre que possível, pois ando quase sempre descalço, não só porque é um sinal de pobreza como um estilo de vida saudável ( http://www.barefooters.org ). E estimulo outros irmãos a fazer o mesmo.
Que Jesus, Maria e Francisco estejam convosco e vos abençoem!
Ir. Alberto Guimarães OFS
concerteza padre gilson muito sábia suas palavras.
A Fraternidade
Agradeço a Deus por vcs serem uma obra concreta aqui conosco, é com muita alegria que divulgo suas benfeitorias pois meu irmão terminou o tratamento na casa de São Miguel lá e teve uma experiencia com Deus através de vcs.
Muito obrigado
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