Mensagem do Pe. Gilson para o Advento 2016 Mensagem do Pe. Gilson para o Advento 2016
O Advento é o tempo litúrgico em que o Menino Deus, já encarnado no seio da Virgem Santíssima, está prestes a sair de seu... Mensagem do Pe. Gilson para o Advento 2016

O Advento é o tempo litúrgico em que o Menino Deus, já encarnado no seio da Virgem Santíssima, está prestes a sair de seu ventre imaculado e vir morar no meio de nós. Compreensão simples, mais ao mesmo tempo profunda desse tempo, que a cada ano, é tão esperado por nós.

A Sagrada Liturgia, sobretudo na Palavra Revelada e nos textos dos Santos Padres, nos leva a contemplar o infinito tomando forma finita, o Todo-Poderoso assumindo a fragilidade de um recém-nascido, Aquele para quem todas as coisas foram feitas acomodado na extrema pobreza de uma manjedoura. Amor extremo pela humanidade ao nascer e se deixar encontrar no presépio entre José e Maria. Amor extremo ao morrer e se deixar encontrar no calvário entre dois ladrões.

Advento é o tempo em que preparamos a Festa do aniversário de Jesus. E como deveria ser essa preparação? Com certeza, Ele gostaria que ela fosse preparada no lugar mais especial que existe: o nosso coração: “Eis que estou à porta e bato: se alguém ouvir a minha voz e me abrir a porta, entrarei em sua casa e cearemos, eu com ele e ele comigo” (Ap 3,20). A Confissão é a melhor maneira que temos para deixar o lugar limpo, perfumado e arrumado para a festa.

Amada Fraternidade, eis a razão da nossa alegria: Deus nos ama! E isso é suficiente para mantermos a esperança, mesmo quando aquelas motivações que no início da nossa jornada faziam sentido, parecem agora não fazer mais. Temos, sim – e esse santo tempo é prova disso – motivos para ESPERAR em Deus, mesmo quando já estivermos convencidos de que a noite parece ficar mais escura a medida que o tempo passa. Nossa esperança não se funda em nós e nem tampouco, em nossas possibilidades e prognósticos, mas Naquele que vem, Naquele que o Pai do Céu nos envia: Jesus, nosso Deus-Salvador! Luz que venceu as trevas.

Outrora nos alegrávamos com frivolidades, com coisas passageiras, ou quem sabe até com aquilo que nos parecia ter considerável importância. Aprendemos, entretanto, que por mais que certas coisas até valam a pena, jamais poderiam ser a razão maior da nossa alegria. Somente n’Ele o coração repousa plenamente, somente n’Ele encontramos a paz que dura mesmo em meio à tribulação mais dura, somente n’Ele encontramos o sentido mais profundo para a nossa existencial aventura humana. Alegremo-nos! Mas seja o Senhor o fundamento da nossa alegria e a causa última da nossa exultação!

Nós, não nos alegramos somente com a grandiosidade de um Deus que, desde sempre nos amou, mas nos encantamos também com o modo como o Senhor realiza os seus desígnios: Ele age nas brechas da história, no mais frágil de nossas vidas, nas humildes decisões de nossa existência.

Agiu num jovenzinho pastor de Belém: Davi, a raspa do tacho da prole do velho Jessé. Da dinastia do pastorzinho, nasceria o Messias: “Quando os teus dias forem completos, e vieres a dormir com teus pais, então farei levantar depois de ti o teu descendente, que sair das tuas entranhas, e estabelecerei o seu reino. Este edificará uma casa ao meu nome, e estabelecerei o trono do seu reino para sempre. Eu lhe serei por pai, e ele me será por filho” (2Sm 7,12-14).

Agiu no justo e humilde José. Ao carpinteiro de Nazaré foram confiados os mais preciosos tesouros do Reino: “José, filho de Davi, não temas receber Maria, tua mulher, pois o que nela foi gerado vem do Espírito Santo. Ela dará à luz um filho e tu o chamarás com o nome de Jesus, pois Ele salvará o seu povo de seus pecados” (Mt 1,20-21). Que alegria não foi a do pai nutrício ter sido chamado de pai pelo Filho de Deus.

Agiu na pequenez de uma nazarena, pobre e anônima como tantas jovens da Terra Santa: Maria, da estirpe de Davi. “Não tenhas medo, Maria, porque encontraste graça diante de Deus. Eis que conceberás e darás à luz um filho, a quem porás o nome de Jesus. Ele será grande, será chamado Filho do Altíssimo, e o Senhor Deus lhe dará o trono de seu pai Davi. Ele reinará para sempre sobre os descendentes de Jacó, e o seu reino não terá fim” (Lc 1,30-33).

Oh imensurável loucura de Deus! Dos simples dependem a salvação dos sábios, dos ricos, dos incrédulos, dos pecadores, de todo o gênero humano. Como não lembrar aqui das palavras de São Bernardo: “Eis que te é oferecido o preço de nossa salvação; se consentes, seremos livres; com uma breve resposta tua seremos chamados à vida! Ó Virgem cheia de bondade, o pobre Adão, expulso do paraíso com a sua mísera descendência, implora a tua resposta; Abraão a implora, Davi a implora. Os outros patriarcas, teus antepassados, que também habitam a região da sombra da morte, suplicam esta resposta. O mundo inteiro a espera, prostrado a teus pés. E não é sem razão, pois de tua palavra depende o alívio dos infelizes, a redenção dos cativos, a liberdade dos condenados, enfim, a salvação de todos os filhos de Adão, de toda a tua raça” (Das Homilias em louvor da Virgem Mãe, Hom. 4,8-9: Opera omnia, Edit. Cisterc. 4 [1966], 53-54).

A pedagogia de Deus não mudou. Ele continua a agir por meio dos simples. Por meio de cada um de nós, de mim e de você. Não tenhamos medo d’Ele. Ele vem a nós na humildade de um bebê, que a todos conquista pelo sorriso e pelo brilho dos olhos.

Não sedamos a tentação de não mais O esperarmos em cada Natal e por aquele último dia, onde Ele retornará para julgar os vivos e os mortos. Não permitamos que o mundo, ou mesmo nossas justas e compreensíveis ocupações, ou quem sabe até o autodiagnostico de “que estou passando pelo vale da sombra da morte e por isso nada mais tem sentido” nos roube a ALEGRIA e a ESPERANÇA que Ele veio nos trazer e que um dia será plenamente realizada em nós na consumação dos tempos. Recobremos o folego, voltemos ao teu primeiro amor e como os vigias, esperemos pela vinda do Filho do Homem. Não nos esqueçamos, porém, de que Ele virá como no tempo de Noé e de Ló: “E, como aconteceu nos dias de Noé, assim será também nos dias do Filho do homem. Comiam, bebiam, casavam, e davam-se em casamento, até ao dia em que Noé entrou na arca, e veio o dilúvio, e os consumiu a todos. Como também da mesma maneira aconteceu nos dias de Ló: Comiam, bebiam, compravam, vendiam, plantavam e edificavam; mas no dia em que Ló saiu de Sodoma choveu do céu fogo e enxofre, e os consumiu a todos. Assim será no dia em que o Filho do homem se há de manifestar” (Lc 17,26-30).

Numa sociedade, cansada, vacilante e incrédula, esse oportuno tempo de luz, esperança e alegria, surge como um alento e renovado momento de graça e paz. Como seria triste se nós cristãos privássemos o mundo dessa esperança que esse tempo nos dá. Seriamos como os pagãos, incrédulos e indiferentes para quem o Natal não passa de um culto ao “deus do mercado”, encontrado nos seus frequentados e enfeitados templos: os shoppings centers. O tão falado e desejado espírito de natal não é senão a alegria daqueles que creem no Sol Nascente que veio visitar e iluminar aqueles que jazem entre as trevas e na sombra da morte. “Já é hora de despertar. Com efeito, agora a salvação está mais perto de nós do que quando abraçamos a fé. A noite já vai adiantada, o dia vem chegando (Rm 13, 11-12).

Das disposições para celebrarmos o Advento e o Natal.

Para haurirmos plenamente de todos os mistérios celebrados no Advento e no Natal, lembramos que já na última semana do mês de novembro todos devem buscar desejosamente o Sacramento da Reconciliação. Sem Confissão não existe para nós Advento e Natal.

Faremos como de costume nosso jejum ás sextas-feiras e tiraremos refrigerantes e doces durante todo o tempo do Advento, com exceção, entretanto, para a Solenidade da Imaculada Conceição e a Festa de Nossa Senhora de Guadalupe.

Esmeremo-nos mais na nossa vida de oração dedicando a ela tempo e evitando negligenciá-la ou fazê-la de qualquer jeito.

Recomendo ainda para os que desejarem, a prática secular de levantar bem cedo para esperar os primeiros raios de luz do novo dia. Esse salutar ato de piedade nos lança diretamente no centro da liturgia do Advento que nos convida a uma atitude de prontidão como aquela do vigia que espera pela aurora, a da noiva que espera pelo noivo, a do servo que espera pelo seu senhor. Além do Evangelho recomendo que se leias as outras leituras do dia.

 Da preparação da casa para o Advento

Dia 26, será o dia dedicado à preparação da casa para o Advento.

No centro da mesa, ou num lugar de destaque, deverá ser colocada a Coroa do Advento, sobre uma tolha de cor roxa*. Quanto a Coroa do Advento, translitero aqui o que tenho escrito nos anos anteriores. Ela deverá ser feita de folhagem verde e com alguns detalhes dourados. A cor verde representa a esperança que se cumpriu com o nascimento de Jesus e a feliz expectação pela sua segunda vinda. Os detalhes dourados prefiguram a glória em que Ele virá. A forma circular nos lembra que seu Reinado não tem princípio nem fim. No centro da Coroa colocaremos as quatro velas simbolizando as quatro semanas do Advento. Cada domingo se acenderá uma delas. Esse ato de acender uma por uma, nos recorda que o Natal já está para chegar e com ele a Luz do Mundo: Jesus. Três dessas velas deverão ser roxas, simbolizando assim o desejo de conversão para acolher o Cristo que vem e uma deverá ser rosa para nos lembrar que Ele já está às portas e com alegria o aguardamos.

Cada vez que uma das velas for acesa, alguém dirá em alta voz a ser repetido por todos: “Despojemo-nos das ações das trevas e vistamos as armas da luz” (Rm 13,12b).

Como de costume, faremos uma manjedoura para ser colocada em frente ao Altar e junto dela uma placa contendo a seguinte frase: “Qui propter nos hómines. Homo factus est”. (Credo Niceno-Constantinopolitano). “Por causa de nós homens, se fez homem”. Ela será rezada como de costume. Se pronuncia: qui propter nosomines, homo factusest.

Recomendo especial cuidado artístico na confecção da manjedoura. Está sendo enviada em anexo a arte da plaqueta para ser colocada junto à manjedoura e algumas fotos da manjedoura.

Não nos esqueçamos de providenciar cantos apropriados para serem usados durante esse tempo. Para isso, peço que providencie o quanto antes CDs com cantos do Advento.

Da preparação da casa para o Natal.

Dia 09 (sexta-feira) nos reuniremos em família para preparar a casa para a espera mais imediata da vinda do Senhor atualizada no Mistério da Santa Missa da Vigília de Natal. Quase sempre fazemos isso na segunda-feira, depois do 3° Domingo do Advento, mas nesse dia será a Festa de Nossa Senhora de Guadalupe.
Nesse dia além da limpeza da casa, montaremos o presépio, armaremos a árvore de natal e colocaremos a guirlanda. Em anexo enviamos algumas breves explicações sobre esses símbolos.
Não nos esqueçamos de providenciar com antecedência todo o material necessário para a confecção do presépio, da árvore e da guirlanda.
Para o presépio deve-se providenciar papel para fazer as rochas (em alguns lugares já se pode comprá-lo pintado), madeira, pregos, grampos, etc. Evitemos montá-lo diretamente no chão. Providencie-se uma mesa ou um tablado de mais ou menos meio metro para armar o presépio em cima. Evite-se também colocar muita terra, pois com o passar dos dias ela fica ressequida. Utilize pedrinhas. Se forem colocar plantas tenha o cuidado para que elas estejam dentro de vasos para que possam ser regadas. Pode-se também ir trocando-as por outras para que elas não amarelem ou morram. Evite-se ainda furar paredes ou sujá-las na hora de confeccionar o presépio. Se as peças do presépio forem pequenas não precisa fazer um presépio muito grande e que ocupe muito espaço na casa. Dar uma olhada na internet para ver alguns modelos ajuda a ter algumas idéias.
Para a árvore de natal providenciem-se bolas coloridas e outros enfeites, pisca-pisca, estrela para colocar no topo da árvore, etc.
Para a guirlanda se utilize o material que se tem a disposição. Sejamos criativos. Uma olhada num site de busca ajuda a ter alguma boa e criativa idéia. Ela deve ser colocada na porta de entrada da casa. Se não houver perigo de ser roubada ela deverá ser colocada do lado de fora. Caso não seja possível que se coloque no lado de dentro.

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