Ano do Espírito e do Laicato Ano do Espírito e do Laicato
Ano do Espírito e do Laicato Deus em sua infinita bondade e misericórdia presenteou a nossa pequena obra com a inspiração da proclamação do... Ano do Espírito e do Laicato

Ano do Espírito e do Laicato

Deus em sua infinita bondade e misericórdia presenteou a nossa pequena obra com a inspiração da proclamação do Ano do Espírito em consonância com o Ano do Laicato para toda a Igreja no Brasil. E nós já podemos perceber e sentir as expressões e manifestações deste novo ano que se inicia de modo bem marcante nas nossas experiências cotidianas, particularmente na vida litúrgica-sacramental e orante, na vida fraterna e sobretudo no nosso apaixonado serviço aos pobres. De uma coisa tenho certeza que todos nós comungamos: Ano do Espírito e Ano do Laicato é ANO DE ESPERANÇA.
Que verdadeiramente nesse Ano do Laicato, um espírito de ousadia possa abrasar o coração de cada um (a) dos (as) nossos (as) irmãos (as) e irmãs leigos (as): associados, juventude caminho, amigos, benfeitores, voluntários, missionários, filhos prediletos. E que assumindo o seu papel de protagonista na evangelização sejam instrumentos poderosos na obra da salvação das almas, em particular no cuidado “dos pobres nos seus múltiplos rostos (que) são os destinatários da missão dos Pobres de Jesus Cristo” (NF p. 11). E desejando assumir Jesus Todo, e sendo Todo de Jesus no seu estado de vida secular, arrastem com seu testemunho as pessoas com quem convivem nos seus mais diversos ambientes e grupos em que transitam: casa, família, colégio, faculdade, vizinhança, prédio, condomínio, ambiente de trabalho, ambiente de lazer, paróquia, fratérnitas local… Etc.
Jesus, na sua conversa com Nicodemos, disse: “o vento sopra onde quer; ouves-lhes o ruído, mas não sabes de onde vem, nem para onde vai. Assim acontece com aquele que nasceu do Espírito” (Jo 3, 8).  Não existe sombra de dúvida de que a nossa amada Fraternidade é um sopro do Espírito Santo, e claro que simultaneamente, ainda que não de modo claro e definido, no princípio da comunidade, soprou o nosso Santo Carisma no coração do nosso Pai Fundador que por primeiro o recebeu e o transmitiu aos primeiros e posteriormente a todos nós. Portanto, cada um de nós, quando fomos introduzidos como parte integrante desse corpo carismático, isto é, aqueles que foram marcados com o selo divino do Carisma, nos tornamos homens e mulheres que nasceram do Espírito, isto é, a partir da experiência com o Espírito.
Mas que significa para nós nascer do Espírito? Certamente para Nicodemos esta afirmação lhe pareceu estranha: “Porventura pode (um homem) tornar a entrar no seio de sua mãe e nascer pela segunda vez?” (Jo 3, 4b). Seguramente, naquele momento histórico, ainda não se podia deduzir ou especular que aquele homem que lhe falava era o Messias e que ele prometeria o envio do Espírito Santo que seria consumado no dia de Pentecostes. Jesus afirmara ser necessário “nascer de novo” para ver o reino de Deus (cf. Jo 3, 3). E que seria este novo nascimento senão o encontro pessoal com a pessoa de Jesus Cristo com sua novidade do Evangelho e a consequente transformação mediante a força e o poder do Espírito Santo de Deus?
Um renomado estudioso do Espírito Santo (pneumatólogo), chamado Bernd Jochen, afirma que “a obra do Espírito Santo é a presentificação, continuação e consumação da autocomunicação de Deus em Jesus Cristo”. Quer dizer que o Espírito Santo torna presente, continua e consuma a obra do Pai em Jesus realizada em nós. Gostaria de destacar aqui a função de continuação. Isto significa que aquela nossa experiência forte com Deus que nos gerou conversão e um novo sentido para nossa existência e sobretudo a paixão pelo Senhor, não vai ser conservada, nem cuidada se não for mediante a experiência continua com o Espírito de Deus. Do contrário, vai se perder, fossilizando-se, nos tornando meros cumpridores de regras e ritualismos vazios que em nada propiciam a real liberdade evangélica que vem da profunda e libertadora experiência com o Espírito Santo.
Então se é verdade que nossa pequena obra é formada por “uma comunidade nascida, formada e conduzida pela experiência profunda com a pessoa do Espírito Santo” e que como corpo “somos fruto de um contínuo Pentecostes” também é verdade que nós não podemos sobreviver na nossa luta por ser de Deus sem contínuas, intensas, autênticas e por que não dizer, prazerosas experiências com o Espírito de Deus. Toda a nossa vida litúrgica-orante, vida fraterna e vida pastoral devem ser tocadas pela ação renovadora do Espírito Santo. Ou seja, O Espírito sempre vai pedir de nós urgência pelo reino e conversão diária. Como nos dizia o apóstolo Paulo: “(…) Vós vos desvestistes do homem velho com suas práticas, e vos revestistes do novo, que se renova para o conhecimento segundo a imagem de seu criador.” (Col 4,9 -10).
É impossível falarmos de um Ano do Espírito sem falarmos das dimensões que lhe estão diretamente atreladas. O Ano do Espírito também é ano da vida fraterna. Que nossos laços fraternos se estreitem mais, e que aqueles que precisam de manutenção recebam os devidos cuidados necessários. Não dá para conceber um homem ou uma mulher espiritual que não seja decididamente fraterno (a). Uma pessoa cheia do Espírito Santo é aquela que vive uma contínua conversão não só por que deseja seu progresso pessoal, mas por que sabe que precisa ser uma pessoa melhor para aqueles com os quais convivem.
E como nos diz nossas fontes: “Mais do que um mero sentimento, o amor aos irmãos é critério de salvação ou de condenação: “Aquele que diz estar na luz, e odeia seu irmão, jaz ainda nas trevas.” (1Jo 2, 9). “Quem odeia seu irmão é assassino. E sabeis que a Vida Eterna não permanece em nenhum assassino” (1Jo 3, 15) ” (NF p. 19). A experiência carismática com o Espírito não pode vir dissociada da prática do amor fraterno, e alias, podemos afirmar seguramente que esta prática é garantia de autenticidade da verdadeira experiência espiritual. Quer dizer, podemos afirmar seguramente que quem não vive a prática do amor fraterno também não vive verdadeira experiência com o Espírito Santo.
E não poderia faltar nesta reflexão a abordagem do fruto da presença do Espírito Santo numa alma que diz respeito à sensibilidade pastoral para com os pequeninos e marginalizados de nossa sociedade. E nós, por inspiração de Deus, somos chamados não só a chamá-los de filhos, mas a carinhosamente tratá-los tais como. Queremos que neste ano eles experimentem o Espírito em nós, como nos diz nossas fontes: “Antes de lhe oferecermos qualquer outra coisa, lhe ofereceremos primeiro a nós mesmos: Ofereceremos-lhes Cristo em nós.” (NF p. 11) Que nossas pastorais, nossa acolhida, nossas partilhas  e quaisquer encontros formais ou informais que tenhamos com nossos filhos prediletos tenham sabor de efusão do Espírito Santo. Como propósito deste ano (para aqueles que podem) poderíamos visitar mais nossas chácaras onde nossos filhos (as) e religiosos (as) vivem no recolhimento e não raras vezes na solidão.
Como já sabemos que ninguém pode dar aquilo que não tem, se queremos que os pobres e os irmãos experimentem o Espírito Santo em nós, nós precisamos fazer a experiência com Ele por primeiro. E de fato, viveremos aquilo que pregamos: somos uma comunidade dependente do Espírito de Deus; e assim queremos permanecer pelos tempos vindouros até a vinda do Senhor: cheios do Espírito, fraternos e em espírito de pobreza.  Que assim Deus nos conserve. Assim seja.

Um santo e ungido Ano do Espírito e do Laicato.
Frei Félix Cativo de Jesus Hóstia, pjc.

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