Jesus todo, todo de Jesus. Esta é a frase que abrange e resume todo o Carisma dos Pobres de Jesus Cristo. Há em nós uma profunda vontade e até quem sabe uma ousada pretensão, de querer Jesus por inteiro e de ser d’Ele também por inteiro. O Evangelho vivido sine glossa nos oferece o caminho seguro pelo qual podemos encarnar toda Sua vida na nossa própria vida.

Somos atraídos por Jesus que se despojando de toda a sua condição divina se tornou pobre, servo, humilde; dom sem reservas e sacrifício por toda a humanidade (Fil 2,6-7). Queremos o Verbo-Humanado pobre em Belém, anônimo em Nazaré, peregrino na estradas, abandonado no Gólgota, ressuscitado pelo Pai e glorificado junto a Ele; Queremos Jesus que anuncia que o Reino já chegou e que está no meio de nós, mas que também se retira no silêncio para orar e interceder pelos homens junto ao Pai; Jesus que tem vida em abundância para dar, mas que também oferece o estreito caminho da Cruz. A condição primeira e única para que isso se dê, é que respondamos com total liberdade ao seu amoroso convite.

Para sermos todo d’Ele, ele nos chama para estarmos com ele: “Então designou os doze para estarem com Ele…” O que significa viver com Ele, como Ele e para Ele, a fim de que reproduzamos em nós o seu mesmo estilo de vida; casto, pobre e obediente (LG 44,46;PC1). Só o amor pode nos fazer ser todo d’Ele. Sem o amor só nos restariam regras dispostas em pesados parágrafos a serem rigidamente seguida. Este amor ardente, constante e absoluto por Ele é que impele a total entrega de nosso ser. “Nós amamos porque Ele nos amou…” (1Jo 4,19)  e como Ele nos amou. Só quem ama totalmente pode se entregar para sempre.

Os votos de castidade, pobreza e obediência são a expressão maior do nosso amor por Ele e por seu Reino, por quem e para quem consagramos generosamente e sem reservas, as forças de amar, o desejo de possuir e a livre faculdade de dispor de nossa própria vida (ET 7).