A Ovelha Perdida – Lc 15,1-7 A Ovelha Perdida – Lc 15,1-7
A Ovelha Perdida Lc 15,1-7 1Aproximavam-se de Jesus os publicanos e os pecadores para ouvi-lo. 2Os fariseus e os escribas murmuravam: “Este homem recebe... A Ovelha Perdida – Lc 15,1-7

A Ovelha Perdida

Lc 15,1-7

1Aproximavam-se de Jesus os publicanos e os pecadores para ouvi-lo. 2Os fariseus e os escribas murmuravam: “Este homem recebe e come com pessoas de má vida!”

3Então lhes propôs a seguinte parábola:  4“Quem de vós que, tendo cem ovelhas e perdendo uma delas, não deixa as noventa e nove no deserto e vai em busca da que se perdeu, até encontrá-la? 5E depois de encontrá-la, a põe nos ombros cheio de júbilo, 6e, voltando para casa, reúne os amigos e vizinhos, dizendo-lhes: regozijai-vos comigo, achei a minha ovelha que se havia perdido. 7Digo-vos que assim haverá maior júbilo no céu por um só pecador que fizer penitência do que por noventa e nove justos que não necessitam de arrependimento”.

V – 1 Os coletores de impostos e os pecadores se aproximavam dele para ouvi-lo.

 

Se assim o faziam é porque se sentiam acolhidos. Atomizados e excluídos de seu mundo, o que mais um pecador deseja, é poder ter a chance de recomeçar. Sabemos por outros textos (Mt 21,31), que cobradores de impostos (publicanos) e os pecadores (entre eles destacamos as prostitutas) eram pessoas abominadas pelos fariseus. Estes negavam até mesmo a possibilidade de se arrependerem. Imaginem a raiva que não sentiam ao vê Jesus lhes dizendo que estes chegariam primeiro no Reino dos céus.

V – 2 E os fariseus e os escribas murmuravam dizendo: “Este homem recebe pecadores e come com eles”.

 

Este versículo deixa bem claro quais são os destinatários da missão de Jesus: os pecadores, os pobres, os leprosos, os doentes, os contaminados. Todos aqueles que a “lei” não permitia nenhum tipo de aproximação, eram os que Jesus mais se relacionava, conforme nos ensinam os textos evangélicos. Por causa de tal atitude, Seu ministério foi alvo de ferrenhas criticas e perseguições violentas.

A parábola da ovelha perdida demonstra assim como tantas outras, que “o perdido” tem valor inestimável para Jesus.

V – 3 Então Ele lhes disse essa parábola.

 

V – 4 Quem de vós que, tendo cem ovelhas e perdendo uma delas, não deixa as noventa e nove no deserto e vai em busca da que se perdeu, até encontrá-la?

 

A primeira coisa que aqui destacamos é o número considerável de ovelhas. O que nos leva a afirmar que o proprietário de tal rebanho é um homem abastado. Uma ovelha que se perdera poderia até passar despercebida, por ser o rebanho tão numeroso. Poderíamos ainda colocar a questão de outro modo: Já que eram tantas, que falta faria uma que se extraviasse? Não seria de grande prejuízo.

Assim, como a relação diária do pastor com suas ovelhas fez com que ele as conhecesse uma por uma, assim também é a relação de Deus para conosco. Não somos apenas “números”. Ele nos conhece a cada um pelo nome. Somos filhos bem amados, únicos para Deus. O Seu desejo é que nenhum de nós se perca. Seu cuidado para conosco é tão grande que como o pastor da parábola, Ele deixa as noventa e nove e sai a procura da única que se perdera. É interessante notar que, o pastor larga as noventa e nove sozinhas no deserto. A reação do pastor quando, ao final da tarde, no momento de guardar as ovelhas no aprisco, percebe que uma está faltando; é de perder a cabeça. Imaginemos a aflição do pastor contando: 96, 97, 98, 99…??? “Não pode Ser! Esta faltando uma! O que aconteceu? E foi justamente a Naná, a mais teimosa de todas”.

Tomado por um impulso, ele deixa as noventa e nove no deserto, já quase noite, sozinhas, a mercê do lobo e de roubos e vai salvar a que se perdera. Poderíamos nos perguntar o que levou tal ovelha a se extraviar. Sabemos que diferente dos outros animais como o boi, cavalos, etc, a ovelha segue o pastor para o lugar onde devem pastar. Por isso, dificilmente uma se perderia. Com isso, Jesus quer mostrar que a ovelha poderia se extraviar unicamente porque assim quisera.

É o que acontece conosco. Somos aquela ovelha que um dia resolveu caminhar sozinha. As razões para isso são muitas: decepções sofridas, autossuficiência, seduções, ignorância.

Para o pastor não é fundamental a razão, o porquê da ovelha ter se desviado do rebanho. Para ele não importa porque nos desviamos do caminho. Como o pastor, o essencial é nos resgatar; é resgatar a ovelha.

Como dissemos, a noite já chegara e o pastor incansável procura sua ovelha de um lado para o outro. Por sua cabeça passa um turbilhão de ideias: Será que já está morta? Fora devorada por um lobo ou caíra no precipício? Ele, porém, não desiste e grita cada vez mais forte: – “Naná! Naná!”. De repente, escuta um barulho bem longe, quase inaudível. Ele conhecia aquela voz. Era Naná, finalmente a encontrara.

V – 5 E achando-a, coloca-a sobre os ombros, cheio de alegria.

 

Para mim, esse é um dos mais belos versículos bíblicos. Ele nos revela o que Deus é capaz de fazer por amor a nós.

Imaginemos a cena:

O pastor encontra a ovelha; ela está cansada e ele também. Caíra numa fenda entre as rochas e, de tanto se debater está machucada e ensanguentada. Apressadamente ele desce até ela e com todo cuidado a retira do buraco e a coloca sobre os ombros.

Da mesma forma Deus age conosco. Deus se abaixa até onde nós estamos; nos abismos, lamaçais, até mesmo no inferno e com toda delicadeza nos retira. Como o pastor, Ele não nos acusa, jogando os erros em nossa cara. No mínimo pensávamos que Ele nos colocaria em Seus braços, mas para nossa surpresa ele nos coloca nos ombros, mostrando assim que aquele que um dia descera aos abismos do pecado, agora como lâmpada colocada no alto, (Mt 5,15) brilha para que todos vejam e se admirem: “Mas esse não era fulano, que só vivia nos botecos enchendo a cara? Essa não era cicrana que saia com todos os homens da vila? Esse não era beltrano que traía sua esposa?”.

Digo-vos que o maior espetáculo que podemos oferecer ao mundo é a nossa conversão. O Reino e a Igreja urgem por almas convertidas que possam ser no mundo um sib=nal visível da infinita misericórdia de Deus.

V – 6 De volta a casa, reúne seus amigos e vizinhos e lhes diz: “Alegrai-vos comigo, pois eu reencontrei a minha ovelha que estava perdida”.

 

Se no versículo quatro, o que predomina é a alegria do pastor, neste versículo predomina a alegria dos vizinhos. De fato, o céu faz festa por uma alma que outrora estivera perdida. Não esqueçamos que, diferente de nossas festas que são momentâneas, a festa no céu é eterna e se assim o é, o céu comemora ainda hoje, com a mesma intensidade a nossa volta para os ombros do Bom Pastor.

Que bela cena! O pastor conduzindo a ovelha, não para o “curral” mas para sua própria casa como nos diz o versículo acima; “de volta para casa”. É Deus que nos leva para sua própria habitação, para junto de si e aí nos trata com todo cuidado e carinho. Só nos manda de volta ao rebanho, quando tem certeza que já estamos curados.

Outro detalhe é o pronome possessivo com o qual o pastor se refere à ovelha: “minha”, o que demonstra como são fortes os laços que nos unem a Deus. Mesmo quando estamos “perdidos” não deixamos de pertencer a Ele. Somos Seus! Foi Ele quem nos fez e Seu amor por nós é persistente mesmo quando dEle nos distanciamos.

Dizia o grande doutor da Igreja Santo Agostinho: “Fizeste-nos Senhor para vós e nosso coração está inquieto enquanto não repousar em vós”.

 

V- 7 Digo-vos que assim haverá maior alegria no céu por um só pecador que se arrepende, do que por noventa e nove justos que não necessitam de arrependimento.

 

No grego a palavra para arrependimento é ???????? (metanóia). É a junção de duas palavras no grego “meta” = além e “nous” = ideias. Arrepender-se é portanto, ir além das ideias , romper com os conceitos que tenho como certos e verdadeiro. É uma mudança total de mentalidade.

No decorrer de nossas vidas, vamos armazenando informações sobre o mundo que nos cerca, sobre as pessoas com as quais convivemos e sobre nós mesmos. Essas informações acumuladas vão formando os nossos princípios, através dos quais julgamos as coisas. Esse processo é feito inconscientemente, nem nos damos conta. Nunca nos perguntamos por que gostamos de algumas coisas e de outras não; de praticarmos algumas determinadas ações e outras não; de conceituarmos certas coisas como boas e outras não; simplesmente escolhemos umas coisas e outras não. se parássemos um pouco para refletir, perceberíamos que se assim agimos é por causa desses princípios que ao longo da vida fomos acumulando.

Jesus sabia disso e por isso mesmo, várias vezes nos convida ao arrependimento, uma mudança de mentalidade daqueles princípios adquiridos e dogmatizados por nós como sendo únicos. A verdadeira conversão supõe uma nova maneira de pensar, de ver o mundo, os outros e nós mesmos. Sobre o prisma do Evangelho, Jesus pode nos ajudar a realizar isso, à medida que permitimos que Sua Palavra penetre em nós.

Extraído do Livro Parábolas Versículo Por Versículo, Pe. Gilson Sobreiro, pjc

  • RITA

    18/01/2016 #1 Author

    Linda a sua mensagem, qdo chamas a ovelha de Naná, eu coloquei o meu nome ali.
    Me senti muito emocionada, e tocada por Deus.!

    Deus abençoe o seu ministério.

    Paz e alegria

  • marlene lima

    05/06/2016 #2 Author

    muito importante para nós sua leitura da parábula ´nos lembra como somos amados por DEUS.
    OBRIGADA ….

  • Mundo Ray

    27/08/2016 #3 Author

    Muito boa mensagem: instrutivo, formativa e corretiva… O amor de Deus por nós independe dos motivos que nos levou a afastar dos seus caminhos – um amor sem igual. Que Deus continue abençoando seu ministério…

  • Rosa costa

    19/12/2016 #4 Author

    Linda mensagem
    Verdadeiramente Deus falou comigo!
    Parabéns !que Deus continue te abençoando.

  • EDUARDO ZANETTI DA SILVA

    27/04/2017 #5 Author

    Eu virei uma ovelha perdida, mas Jesus pessoalmente veio e me puxou de volta, através da musica católica judaica, os carismas que recebi dessa comunidade voltaram em mim

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